Que a força do mêdo que tenho
Não impeça de ver o que anseio
Por que metade de mim é partida
E a outra metade é saudade...
Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece
Nem repetidas com fervor
Por que metade de mim é o que ouço
E a outra metade o que calo...
Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que esta tensão que me corroe por dentro
Seja um dia recompensada
Por que metade de mim é lembrança do que fui
E a outra metade eu não sei...
Que as nossas loucuras sejam perdoadas
Por que metade de mim é amor
e a outra metade ... também...
(Oswaldo Montenegro)
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